Agachamento - Parte 3

A dinâmica dos resultados esportivos dos levantadores de peso vem atraindo o interesse de especialistas há um longo tempo. O efeito do ritmo do exercício sobre a taxa de melhoria de força tem sido explorado em muitos trabalhos (NV Zimkin , 1954 , 1956 , 1960; G. Vasiliev , 1954 , 1956; VD Monogarov , 1957 , 1959; AN Vorobeyev 1964, 1965, 1967 , 1970, 1971 ; VM Zatsiorsky , 1966; Falameyev et al, 1974 ). Porém, poucas compararam a velocidade de execução nas condições naturais do treinamento. S.I. Lelikov e N.N. Saxanov (1976) publicaram uma pesquisa com uma amostra de 32 atletas que treinaram de 1,5 a 2 horas, três vezes por semana (7 classe III, 8 juvenis classe II, 8 juvenis classe I, e 9 iniciantes). Os 32 indivíduos foram divididos em quatro grupos de oito (de acordo com a idade, altura, peso, qualificação, resultados esportivos no arranque, no arremesso e no agachamento).

Todos os atletas realizaram o agachamento com intensidade de 80% de 1RM, volume de 15 repetições por sessão de treino. A cada 5 semanas eles eram testados visando o ajuste de cargas. Todos treinaram em condições iguais, de acordo com um unificado planejamento de treino, realizando o mesmo volume, intensidade das cargas de treino, número de exercícios, levantamentos, aquecimentos gerais e específicos e assim por diante, totalizando 48 sessões onde cada pesquisado executou em média 700 levantamentos a 80%.

Podemos observar com a tabela que o grupo que realizou o exercício com velocidade moderada (2.5 seg./ velocidade média de 0.5 m/s) foi o que obteve maiores ganhos - quase 21% sobre a marca inicial. Sendo que não houve diferença significativa nos ganhos do grupo 1 - velocidade rápida (2 seg./ velocidade média de 0.6 m/s) em comparação com os demais: velocidade lenta (3 seg./ velocidade média de 0.4 m/s) e velocidade muito lenta (6 seg./ velocidade média de 0.2 m/s).

Saliento mais uma vez que o objetivo destas postagens é mostrar que existem inúmeras pesquisas relevantes nos livros publicados há mais de 30 anos. Ou seja, pesquisas de mais de 40 anos atrás. Não são pesquisas de revistas científicas internacionais, multiuniversais, mas são pesquisas de campo, práticas. Que proporcionaram resultados! Mostrando que, em termos de treinamento desportivo, em especial o de força, os ‘mandamentos’ já foram escritos. O resto destas pesquisas modernas é meramente ilustrativo...

Antes de virem falar sobre biomecânica, padrões de movimento, leiam um pouco sobre o treinamento em si. As bases dele são de mais de meio século de história e estão empoeirando nas bibliotecas, perdendo espaço para cooks & boyle’s, e demais ‘doutores’ do mercado momentâneo.

E não, não preciso treinar para poder ensinar meus pupilos. Simplesmente porque desejos que eles sejam os melhores!

A prática pessoal não é a prática de ENSINO.

Fonte: Lelikov SI, Saxanov NN. The Rate of Increase in Leg Strenght Depending on the Tempo of Performing Squats. Tiazhelaia Atletika, 53-55; 1976. Traduzido por Andrew Charniga Jr. - Sportivny Press.