Crônicas do Peso

Certa vez, duas modalidades discutiam. Uma idosa, passando da casa dos cem anos - chamada de Levantamento de Peso (LPO); e uma jovem, em seu auge da forma física, seu sublime e reluzente momento cheio de vida e de energia - conhecida como CrossFit.

Cada uma defendia seu ponto de vista.

Enquanto a anciã argumentava que possuía a experiência, a sabedoria e o conhecimento sobre como amenizar o dispêndio de energia para realizar tarefas quase impossíveis de serem solucionadas; a jovem investia em aspectos relacionados ao número de praticantes, ao fácil acesso e ao caráter lúdico em que se apresentava.

O velho, por sua vez, explicava como aprendeu tudo isto por meio de pesquisas, teóricas e práticas, contando desde seu surgimento, com homens indubitavelmente fortes como Paul Anderson (em seus mais de 160kg de brutalidade), John Davis (primeiro negro norte-americano a conquistar o ouro), passando pela evolução das pesquisas feitas por ex-atletas como A. Vorobyev (ex-combatente condecorado da II Guerra, campeão olímpico, phD em Medicina e autor de diversos livros, pesquisas e tratados sobre o LPO), A. Medvedeev (primeiro superpesado a alcançar a marca dos 500kg no somatório do triatlo - arranque, arremesso e arremesso desenvolvido, além de ser responsável por quase 400 livros e manuscritos), Leonid Zhabotinsky (o ‘Urso da Sibéria’ que carregou a bandeira Soviética nos Jogos da Cidade do México em 1968, em apenas uma mão e com o braço estendido!), entre outros... chegando aos heróis atuais como Ilia Ilin e Lu Xiaojun (que estarão no Rio de Janeiro tentando entrar para a história!). Sem falar das mulheres, que desde 2000 espantam o mundo através da união da força e da beleza.

Já o jovem tentava se esquivar argumentando que o passado não vendia mais. Que a novidade do momento era você não ser ‘apenas’ forte e explosivo, mas ser resistente, ágil, veloz, em suma, ser um ‘superatleta’. Ser um Rich Froning (‘o homem mais bem condicionado do mundo’).

A risada sarcástica do velho rabugento não passava despercebida...

Porém, ao se aproximar da noite, cansados em defender com unhas e dentes seus pontos de vista, ambos perceberam que, assim como a barra, os seus conceitos devem ser maleáveis. Ambos dependem um do outro para a sobrevivência.

O jovem necessita da sabedoria e da experiência do velho. O velho, para não ser esquecido, precisa muito do poder de alcance e da disposição em agregar, de unir e de atrair mais e mais pessoas para vivenciar um procedimento único, porém não novo. Uma conduta velha (orientada por Sócrates há 2.400 anos), mas que, enquanto habitarmos o nosso corpo humano, será sempre original: a de realizar esforços físicos ao extremo!

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Sds,

Rodrigo Dall'Aqua