Fases do Arranque

O arranque é realizado através de um movimento ininterrupto, onde a barra é levantada, sem pausa, a partir da plataforma até acima da cabeça, com os braços estendidos (Vorobyev, 1978).

Muitos autores consideram o ato de o atleta se aproximar da barra como a primeira fase do exercício - a interação com a barra (Dreschler, 1998; Oleshko, 2008). De acordo com Escamilla et al. (2003), para iniciar o movimento, o atleta posiciona seus pés na posição inicial de modo com que a projeção da barra esteja acima das falanges metatarsianas dos pés. O tronco do atleta está inclinado para frente em um ângulo de aproximadamente 45º, mantendo as costas eretas e o quadril na mesma altura dos joelhos, através da flexão de ambos (Roman, 1970). Bartonietz (1996) cita que os atletas mais altos flexionam mais os joelhos (aproximadamente 47º de flexão) do que os mais baixos (que chegam a ter um ângulo de flexão de joelhos de apenas 80º). Existem dois tipos de início do movimento: a saída dinâmica e a saída estática (sem nenhum movimento preparatório). Na saída dinâmica existem algumas variações, como a saída preparada - onde os ângulos das articulações do joelho e do tornozelo são agudos. Antes de levantar a barra o quadril é levantado, aumentando os ângulos das articulações do joelho e do tornozelo. A posição a qual é retomada na ação preparatória durante o momento de levantar a barra da plataforma é denominada ‘saída dinâmica’ (Vorobyev, 1978).

Outra variação, que necessita uma maior habilidade, precisão e ritmo, é empregar um movimento para cima e para baixo do quadril antes de levantar a barra. O balanço para frente, para posicionar os ombros à frente da linha da barra, direcionando o quadril para cima e então para trás e para baixo, e novamente elevando o quadril, trazendo os ombros para frente enquanto levanta da barra (Vorobyev, 1978).

 

Puxada

 

Figura 1. Puxada.

 

Vorobyev, 1978

A primeira fase, também denominada de ‘aceleração preliminar’, começa quando a barra perde o contato com o solo e termina quando os joelhos finalizam sua primeira extensão (aproximadamente quando a barra atinge o nível dos joelhos no arremesso, e quando atinge a porção distal da coxa no arranque) (Dreschler, 1998).

 

Figura 2. Primeira Fase. A aceleração preliminar.

 

Vorobyev, 1978.

Durante o movimento, conhecido como primeira puxada (fase I), a barra é levantada do chão até a linha dos joelhos, através da extensão do quadril, joelhos, e a leve flexão dos tornozelos, enquanto a posição dos braços não muda, existindo uma forte tensão isométrica nos músculos eretores da espinha, para manter as costas em postura ereta. Conforme Chiu e Schilling (2005), os eretores da espinha criam uma posterior divisão de forças para opor a anterior divisão das forças gravitacionais, as quais, concomitantemente com as forças de compressão geradas, aumentam a estabilidade da coluna. Os elevadores da escápula e os extensores dos ombros mantêm a barra perto do corpo.

Nessa posição, apesar de o levantador ser capaz de produzir grandes forças, o movimento não pode ser realizado em alta velocidade com cargas pesadas, tendo como maior objetivo mover a barra em uma trajetória racional (Medvedyev, 1986). Quando a barra passa pelo nível dos joelhos, é o fim da primeira puxada e a fase de preparação para a segunda puxada (Escamilla et al., 2003; Oleshko, 2008). Nesse momento, Oleshko (2008, p. 29) cita que ‘(...) os esforços do atleta aumentam rapidamente e, em 0,08 a 0,12s, atingem 140 a 160% do peso levantado’. Assim que a barra passa da altura dos joelhos (fase II), os mesmos são flexionados deslocando-se para frente, movendo-se sob a barra. O quadril dos atletas se move com a barra deslizando sobre as coxas, e as costas do atleta ficam em posição mais vertical (Escamilla et al., 2003), caracterizando a puxada completa, conhecida também como dupla flexão de joelhos (Stone e Kirksey, 2003).

Figura 3.  Segunda Fase. Flexão dos joelhos e direcionamento para frente.

Vorobyev, 1978.

A fase explosiva da puxada consiste de duas divisões: a amortização (fase III) e a aceleração final (fase IV). A duração da segunda puxada (fase III) é de aproximadamente 0,15 a 0,25 segundos, onde a barra é acelerada ao máximo, resultando na propulsão da barra para cima através dos movimentos de extensão de joelhos e quadril, de flexão de tornozelos e da elevação da cintura escapular.

Figura 4. Segunda Fase. Aceleração final. a) início; b) aceleração final.

Vorbyev, 1978.

Roman (1974) também chama a fase de segunda puxada como fase de explosão, onde ele cita que a barra deve atingir uma velocidade de no mínimo 1,70 m/s ao final dessa fase (fase IV) e início da fase seguinte (fase V).

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Rodrigo Dall'Aqua