LPO e Capacidades Cognitivas - Psicológico

A psicologia do esporte é um campo de conhecimento bastante recente que reúne pressupostos psicológicos e da motricidade. Devido à grande expansão e à divulgação dos esportes está ganhando espaço e buscando definir sua identidade.
 
Segundo Dantas (1995) e Becker Júnior (2000), devemos analisar o atleta não apenas pelo seu preparo físico, técnico e tático, mas principalmente como um indivíduo diferente dos demais, com seus próprios motivos e emoções, sujeito às exigências do meio e respondendo a elas de uma maneira única. Assim, surge a necessidade de se propiciar ao praticante uma perfeita preparação psicológica.
 
A função do preparo psicológico geral, de acordo com Oleshko (2008) é a formação da individualidade e das qualidades psíquicas e morais específicas, como o foco na atividade esportiva (no caso o levantamento de peso), disciplina, sentimento de responsabilidade em relação à execução dos planos da preparação e aos resultados das competições, laboriosidade (pessoa trabalhadora) e apuro (perfeição).
 
Weineck (2003) cita alguns métodos de treinamento psicológico para a melhoria do desempenho esportivo, dentre eles, destacamos: os métodos psicológicos para a melhoria da recuperação e aumento da capacidade de desempenho físico (Treinamento Autógeno – TA); os métodos psicológicos para a melhoria do processo de aprendizagem técnica (Treinamento Mental – TM); os métodos psicológicos para eliminar fatores desfavoráveis que influenciam o desempenho esportivo (Hipnose); e formas combinadas (associação de diversos métodos).
 

Charcot em seus experimentos com a hipnose. A hipnose foi utilizada também por Sigmund Freud, que participou como aluno das demonstrações de Charcot na França. A partir das conclusões retiradas com o uso da hipnose, Freud começou a elaborar o que mais tarde seria denominado de PSICANÁLISE!

Um exemplo do fator psicológico relacionado ao levantamento de peso ocorre quando Oleshko (2008, p.29), ao relatar as fases de movimento do levantamento de arranque, cita: “A primeira, ou seja, a interação do atleta com a barra até o momento de levantá-la da plataforma, inicia-se no momento em que o atleta começa a reunir forças para levantar a barra e termina quando ele inicia o movimento”. Observamos que o levantamento de peso não inicia no momento em que a barra é levantada, mas a partir do momento em que o atleta começa a imaginar e a visualizar mentalmente o movimento que será realizado, ou seja, começa a se concentrar em seu movimento, sendo que o sistema nervoso central (SNC) é o fator limite de rendimento para o exercício (Kayser, 2003). Essa capacidade de concentração, de acordo com Becker Júnior e Samulski (2002), pode ser permanentemente melhorada através de um cuidadoso programa técnico e tático de treinamento, existindo para isso, determinados exercícios corporais e mentais que auxiliam no processo de aumentar essa capacidade.
Charniga Jr. (2004) cita que um dos segredos para o sucesso do levantador de peso é a capacidade de manter o foco, ou seja, ser capaz de manter a concentração em momentos aos quais acontecem situações imprevisíveis como falha no sistema de som, ou uma tentativa com um peso considerado fácil se torna incompleta. Outra capacidade psicológica citada pelo autor é a força da mente, onde ele relata uma situação que ocorreu no campeonato europeu júnior de levantamento de peso em 2004, ao qual um atleta russo de 18 anos largou uma barra de 175 kg em seu pescoço durante o arranque. Após o atendimento, o atleta retornou a plataforma para realizar, com sucesso, três arremessos e terminar em segundo na categoria.
 
Porém, inúmeros fatores podem contribuir para uma diminuição nessa concentração, como cita Biddle (1983), onde ele destaca a ansiedade como um fator determinante para o desempenho dos levantadores de peso, sendo importante o treinador interpretar e agir da maneira correta para auxiliar o atleta a ter o controle sobre essa ansiedade, que é considerada normal em qualquer nível de competição.

No treinamento de levantamento de peso, a motivação vai sendo formada com a utilização do método competitivo e para regular o estado psicológico às vésperas do levantamento do peso em condições de treinamento ou competição, os treinadores aplicam os três tipos de discurso: orientadores (correção de movimento), estimulantes (aumenta o nível de excitabilidade dos músculos e de manifestação das qualidades físicas do atleta) e com carga de expressão positiva ou negativa (geralmente reflete a relação do treinador com determinada ação competitiva do atleta) (Oleshko, 2008).
 
Em um cenário no qual a medicina do esporte, os recursos tecnológicos, os avanços e pesquisas nos segmentos de nutrição, suplementação e capacitação física dos atletas atingiram um nível de desenvolvimento e disseminação tão elevados que o recurso extra para um aumento no desempenho para os competidores profissionais passa a remeter a questões emocionais, ou seja: a sua capacidade de gerenciar a ansiedade.

Este auto-controle emocional tem como principal objetivo canalizar o pulso energético para a obtenção de resultados e superação dos limites; evitando que ele se disperse ou congele as formas corporais e emocionais do atletas. Esta dispersão/paralisação pode ser percebida através da própria performance do competidor: a dificuldade de concentração; a lentidão em reagir; o desânimo e a dificuldade de criar alternativas estratégicas para virar o jogo; o surgimento de lesões são algumas conseqüências desta falta de auto-gerenciamento.

Matsumoto e Willingham (2009), ao analisarem cerca de cinco mil fotografias de atletas, sugeriram que as expressões faciais utilizadas para demonstrar emoções são inatas ao ser humano, e não aprendidas ao longo da vida como se acreditava. Nesse estudo, foram analisadas 4.800 fotografias de atletas de judô cegos e com visão normal tiradas em cerimônias de entrega de medalhas. Segundo os pesquisadores, tantos os atletas com deficiência visual como os de visão normal exibiam as mesmas expressões faciais quando conquistavam o primeiro lugar.

Expressões faciais bastante similares também foram observadas entre os que perderam as competições. Essa pesquisa conclui que os vencedores mostravam freqüentemente uma alegria natural com a vitória. Já os que ficaram em segundo lugar curvavam o lábio inferior para cima ou produziam um “sorriso social”, que envolve apenas um movimento da boca indicando mais superficialidade do que espontaneidade. Isto sugere que algo genético é a fonte das expressões faciais de emoção (Matsumoto e Willingham, 2009). Sendo que a correlação entre as expressões faciais dos indivíduos de visão perfeita e as dos deficientes foi quase perfeita.
 

Por fim, Matsumoto e Willingham (2009), o “sorriso social” ou a curvatura dos lábios para demonstrar emoções negativas pode ter sido um mecanismo desenvolvido pelos humanos ao logo da evolução para evitar gritos, ataques corporais ou ofensas.

https://www.apa.org/journals/releases/psp9611.pdf

Portanto o fator psicológico é decisivo e ocupa o topo da pirâmide de treinamento. Corresponde à lapidação do atleta que deseja melhorar seu rendimento. Uma idéia negativa fora de hora determina a perda da concentração. Assim, o treinamento mental envolve a motivação, o pensamento positivo, a autoconfiança, o autocontrole, o elevado estado de concentração e a agressividade.

Para mais informações ou sugestões, enviem um e-mail mtor@mtorsports.com.
Obrigado!
Rodrigo Dall'Aqua