Metodologia de desenvolvimento das capacidades especiais de força-velocidade de atletas qualificados

A força está ligada a capacidade de aplicar impulso. Representa a capacidade do indivíduo para vencer ou suportar uma resistência, ou seja, é a capacidade de superar resistências e contra resistências por meio da ação muscular (1) (2) (3). Também pode ser definida como a capacidade neuromuscular de superar uma resistência externa e interna (4). Em nível microscópico, a força pode ser definida como o número de pontes cruzadas de miosina que podem interagir com os filamentos de actina (5) (6).

      A definição de força do ponto de vista da mecânica se centra no efeito externo, enquanto do ponto de vista fisiológico é algo interno, podendo haver relação ou não com o externo (7). A interação entre os dois conceitos gera um terceiro: a força aplicada. Que seria o conceito da força que se aplicaria diretamente ao esporte, sendo definido como a manifestação externa da tensão interna gerada no músculo em um determinado tempo (8).

      A força está ligada a capacidade de aplicar impulso. Representa a capacidade do indivíduo para vencer ou suportar uma resistência, ou seja, é a capacidade de superar resistências e contra resistências por meio da ação muscular (1) (2) (9) (3). Também pode ser definida como a capacidade neuromuscular de superar uma resistência externa e interna (10). Em nível microscópico, a força pode ser definida como o número de pontes cruzadas de miosina que podem interagir com os filamentos de actina (5) (6).

      Harman (1993) (9) cita que a mais precisa definição de força muscular é a capacidade de exercer força sobre determinadas condições como a posição do corpo, o movimento do corpo ao qual a força é ao aplicada, o tipo de movimento (concêntrico, excêntrico, isométrico, pliométrico) e a velocidade do movimento (9).

      A capacidade física da força no esporte pode ser classificada em 7 tipos: Força Máxima, Força Explosiva, Força de Saída, Força de Alta Velocidade, Capacidade Reativa, Força de ‘Endurance’ (Resistência de Força ou Resistência Muscular Localizada) e Potência Máxima Anaeróbia (11) (12).

      González Badillo e Serna (2014) (8) citam em relação à Força Máxima que o termo é erroneamente aplicado, pois geralmente está associada com a carga máxima que se pode deslocar uma única vez (1RM), porém, ela na realidade é maior do que representa a própria carga já que se a Força Máxima fosse realmente mensurada, a carga não poderia ser deslocada e, acima de tudo, existem diversos valores de Força Máxima que dependem exclusivamente da carga ou resistência cuja no momento se deve vencer ou deslocar. O termo que deseja expressar a máxima capacidade de contração muscular perante a uma carga superior à força aplicada, deve-se denominar “Força Máxima Isométrica” (8).

       Sobre a Força Explosiva (13) – termo muito utilizado na linguagem informal do treinamento desportivo – devemos corrigir a associação do termo exclusivamente as ações de alta velocidade e como oposto às ações estáticas e as realizadas com cargas medias e altas, ignorando que a principal referencia do termo “explosivo” deveria ser aplicado a todas as ações ou ativações musculares onde se intencione aplicar a máxima força possível (maior recrutamento possível de Unidades Motoras) em uma unidade de tempo (RFD – ou Taxa de Desenvolvimento da Força) ante qualquer carga e atividade (inclusive em ações estáticas) (8). A interpretação errônea deste termo permite o aparecimento de outros termos inapropriados como, por exemplo, o “treinamento explosivo” (“explosive training”), referido como algo oposto ao treinamento com cargas medias e altas, ou ao treinamento isométrico, quando a qualificação de explosivo, como referido acima, deve ser referido ao modo como se aplica a força e não a carga ou resistência contra a qual a força deve ser aplicada, e nem em relação à velocidade com que se desloca a carga (14). Assim, todos os treinamentos devem ser chamados de “explosivos” se o objetivo for aplicar a força o mais rapidamente possível (máxima TDF para a carga com a qual se treina) (8).

      Em relação à Força Rápida – um dos termos mais utilizados no mundo do treinamento desportivo –, podemos relacioná-lo com as ações em que a velocidade de deslocamento é muito alta. O problema, de acordo com González Badillo e Serna (2014) (8), encontra-se ao não ser possível identificarmos o ponto em que termina a “força rápida” e em que começa a “força lenta”, ou seja, quais margens de porcentagens, normalmente de 1RM, podem ser consideradas limiares entre elas. Outro problema com este conceito é que o mesmo se associa com a velocidade de movimento, ou velocidade de encurtamento muscular, no melhor dos casos. Porém, seria mais razoável que ele fosse associado com a rapidez com que se aplicasse a força, assim, se mesma fosse alta, a força poderia ser denominada de “rápida”, mesmo que encontraríamos divergências em relação a partir de que grau de rapidez se considera como tal, pois há um paradoxo na prática que quando se deslocam cargas leves (menos de 30% de 1RM, aproximadamente), quer dizer, quando se deslocam cargas a altas velocidades, a força se aplica mais lentamente porque as pendentes da Curva Força/Tempo que se conseguem com tais cargas (as TDF máximas) são menores do que quando as cargas são medias ou altas, e isto significa que a força se aplica mais lentamente: menos força aplicada durante o mesmo tempo, ou seja, menor Taxa de Desenvolvimento da Força (TDF) (8).

      Por tanto, o termo “Força Rápida” é confuso porque não se delimitam os limiares (inicio e fim), e, principalmente, é inapropriado porque o que se considera “Força Rápida” é na verdade “Força Lenta”, já que a “rapidez” com que se aplica a força com cargas leves é menor do que com cargas medias e altas (8) (15).

O Treinamento de Força Especial deve assegurar o desempenho de três tarefas específicas:

1.      Aumentar a capacidade do Sistema Nervoso Central em gerar uma corrente mais potente dos impulsos até os músculos periféricos;

2.      Garantir a específica reestruturação morfológica nos músculos, o que é necessário para aumentar o seu potencial funcional;

3.      Promover um aumento na capacidade de transformação e de potência dos músculos.                                                                  (11)

      Em termos práticos, podemos analisar que, apesar de o objetivo principal do treinamento de força para o esporte seja em promover um aumento na força aplicada (TDF específica da modalidade em questão) – que se dá apenas com gestos específicos do futebol –, devemos garantir que estas três tarefas supracitadas possam auxiliar neste processo de forma indireta, por meio de uma melhora no déficit de força, ou seja, uma diminuição do mesmo (8).

      Kuznetsov (1988) (15) cita que para desenvolver as qualidades especiais de força-velocidade devem-se empregar diversos exercícios com resistências que influam nos músculos que suportam a carga maior no exercício básico, porém mantendo sua estrutura dinâmica.

      Ao grupo de exercícios de caráter “explosivo” – lembrando que este termo deve ser substituído pela TDF (“RFD”) –, não somente correspondem os exercícios com estrutura motora acíclica (saltos, lançamentos, etc.), mas também os cíclicos (corridas, natação, ciclismo de velocidade na pista, etc.). Kuznetsov (1988) (15) afirma que o mais apropriado é dividir em três grupos todos os exercícios que desenvolvem as qualidades de força-velocidade.

1º Grupo: exercícios que implicam vencer resistências cuja magnitude seja superior a competitiva, o que causa uma queda na rapidez dos movimentos e um aumento do grau de exteriorização da força;

2º Grupo: exercícios que implicam em vencer uma resistência cuja magnitude seja inferior a de competição e a rapidez de movimentos, por sua vez, superior;

3º Grupo: exercícios que implicam em vencer uma resistência cuja magnitude se equivale a competitiva e a rapidez dos movimentos seja próxima ao limite e superior.

      Os exercícios localizados (especiais-auxiliares) pertencem exclusivamente ao primeiro grupo; os exercícios especiais globais correspondem aos grupos 1 e 2; e os exercícios gerais globais ao terceiro grupo.

      Já em relação aos métodos, é importante destacar que eles são comuns para diferentes desportistas: sua seleção não depende de sua especialização, qualificação e peculiaridades individuais – ATENÇÃO: de acordo com a teoria do treinamento desportivo (mais precisamente com o Mestre da Força: Vassili Kuznestov), não existe esta onda de treinamento funcional de selecionar métodos de treino de acordo com especificidades de cada atleta, ou de acordo com determinados “padrões de movimento” do mesmo.

      Nas modalidades cíclicas, empregam-se os métodos de efeito variável e constante, de esforços de curto tempo de duração e repetitivos; já nas modalidades acíclicas se aplica, além destes métodos, o intervalado.

Kuznetsov (1989)

     Este artigo foi uma introdução aos conceitos de treinamento de força para o esporte, onde pretendemos reunir dados dos estudos dos maiores pesquisadores/treinadores de força e do esporte, como V. Kuznetsov, Y. Verkhoshansky, T. Hettinger, A. Viru, C. Bosco, D. Harre, JJ González-Badillo, A. Vorobyev, J .Weineck, V. Platonov e outros, objetivando desvincular más informações que estão sendo transmitidas por profissionais do meio fitness, acadêmico e, inclusive do meio esportivo, que estão equivocadas desde o princípio - na definição dos conceitos - até chegar na parte principal - na prática.

Sds,

Rodrigo Dall'Aqua

    

BIBLIOGRAFIA

1. Hettinger, T and Thurwell, MH. Physiology of Strenght. Ilinois : Charles C. Thomas Publisher, 1961.

2. Verkhoshanski, YV. Fundamentals of Special Strenght Training in Sport. [trans.] Andrew Charniga. Livonia : Sportvny Press, 1986.

3. Platonov, VN. La adaptación en el deporte. Barcelona : Paidotribo, 1991.

4. Zakharov, A. Ciência do treinamento desportivo. Rio de Janeiro : Grupo Palestra, 2003.

5. Mishchenko, VS and Monogarov, VD. Fisiología del Deportista: Bases científicas de la preparación, fatiga y recuperación de los sistemas funcionales del organismo de los deportistas de alto nível. Barcelona : Editorial Paidotribo, 2001.

6. Pancorbo Sandoval, AE. Medicina do esporte. Porto Alegre : Artmed, 2005.

7. González Badillo, JJ and Ayestarán, EG. Fundamentos del entrenamiento de la fuerza: Aplicación al alto rendimento deportivo. Barcelona : INDE, 2002.

8. González Badillo, JJ and Serna, JR. Bases de la programación del entrenamiento de fuerza. Barcelona : INDE, 2014.

9. Harman, E. Strength and Power: a definition of terms. Nation Streng Condition Assoc. 15, 1993, Vol. (6).

10. Pareja-Blanco, F, et al., et al. Effects of velocity loss during resistance training on athletic performance, strength gains and muscle adaptations. Scand J Med Sci Sports. 2017, Vol. 27, 7, pp. 724-735.

11. Verkhoshansky, YV. Special Strength Training: A Pratical Manual for Coaches. Moscow : s.n., 2006.

12. Verkhoshansky, Y and Verkhoshansky, N. Special Strength Training: Manual for Coaches. s.l. : Verkhoshansky SSTM, 2013.

13. Myers, R and Munroe, R. Teoria sobre el entrenamiento para desarrollar la fuerza explosiva. Cuadernos de Atletismo - acondicionamiento físico deportivo. 9, 1988.

14. González Badillo, JJ, et al., et al. La velocidad de ejecución como referencia para la programación, control y evaluación del entrenamiento de fuerza. s.l. : ERGOTECH Consulting S.L., 2017.

15. Kuznetsov, V. Metodologia del Desarrollo de las cualidades especiales de velocidad-fuerza de los deportistas cualificados. Cuadernos de Atletismo - acondicionamiento físico deportivo. 9, 1988.