Os detalhes (nem tão detalhes assim) que fazem a diferença

     No esporte, assim como na vida, são frações de segundos que fazem a diferença. São centímetros para frente ou para trás, um quilo a mais na barra!

     Mas não são destes detalhes que comentarei neste artigo. Não estamos lá ainda. Não alcançamos este nível. Apenas em algumas modalidades olímpicas, com atletas que são exceções em um contexto.

     A falha do saudoso país-sede dos Jogos Olímpicos de 2016 está não nos detalhes, mas na obra. Sem fundação, sem estrutura, sem planta sequer.

     Ao considerarmos o treinamento esportivo como um processo pedagógico e educativo complexo, fundamentado cientificamente, desenvolvido em uma linha de tempo que possui sua iniciação na infância e que, depois desta fase inicial e essencial no desenvolvimento físico e psíquico, se completa mediante a organização sistemática do exercício físico - este, por sua vez, repetido em determinadas quantidades e intensidades, baseadas em níveis distintos de dificuldade e eficácia, de forma que produza um incremento progressivo das cargas internas, sempre diversificadas, porém progressivamente incrementadas para estimular os processos biológicos de ajuste, adaptação (aclimação) e transformação estrutural real do corpo e favorecer o incremento dos processos físicos, psíquicos, técnicos e táticos dos atletas, com o fim de consolidar e melhorar o rendimento na competição - poderemos então, somente quando levarmos em conta toda essa complexidade do treinamento esportivo e não apenas relacioná-lo com atividade física para saúde e/ou 'lazer', observar as inúmeras falhas no Sistema Desportivo Nacional (se é que existe...).

     A começar pela iniciação, onde não se busca desenvolver a criança para o esporte. Ela quer cortar o caminho, a iniciação em nosso país busca desenvolver o esporte na criança. Há uma diferença entre o ‘para’ e o ‘o’ que é muito maior do que um detalhe.

Oleskho e Laputin, 1982.    

 Depois o erro se perpetua. Não há parâmetros. Uma sequência, continuidade. O que dificulta a progressão constante das cargas internas. Pior se ocorre uma mudança na equipe técnica, pois se não há um ‘sistema’, há alterações metodológicas conforme a fase da lua.

     Por fim, muitas destas mudanças na equipe técnica ocorrem pela desvalorização profissional. Para o nosso COB e Confederações é mais importante remunerar um gestor ou CEO com mais de 10 mil mensais do que contratar um treinador da base. É mais importante contratar um treinador para treinar os juniores e adultos do que um para a iniciação desportiva. E assim, vai se generalizando o detalhe do erro...

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Rodrigo Dall’Aqua